Da tua moldura uma chave

Ternura sobre ternura o vento crepitava ao sabor do vento que crepitava ao luar, à chuva, insalubre. Marcava uma folha esguia para saber onde estava. Que direção era? Norte. Não movia o status quo. Não penetrava na mais ínfima grandeza sepultada.

Resmalhava no solo um inquietude pura. Era quase tarde nas dobras do vestido. 

Clamídia

Forças clandestinas rasgavam os socalcos entrincheirados. Um basculante carregava pedras. A dureza da água acariciava os fornos, mastigando o declínio das margens.

Subia-se umas escadas, de degraus salivantes, e de dentro um sinal súbito perscrutava, insondável, os ramos de um equinócio geral.

Irradiação Iridescente

Quantos lumes ardiam naquela noite esdrúxula?

Ao ver o candelabro pendurado na janela, as figuras, tristes figuras, cravavam os dentes na própria carne. Mantinham uma postura animal. Um multiverso de cores.

Navegação

Numa junção atípica, a topologia emanava um clarão geométrico.

Sobre conchas, um tecto falso servia de abrigo. Cortavam-se unhas e apesar dos cortes, de manhã preparavam-se as seivas.

Todo o milheiral abanava agora ao sabor do vento. Uma protuberância mutante eclodia da terra.

Fórmula Distinta

Uma forma puramente espectral. Debaixo de uma configuração abstracta projectava o extenso lume. Da iluminação peregrina corria um líquido aberto. Era hora de mudar de posição.

Pratas congéneres

Num mar de intrigas uma nuvem soletrada pertencia a um grupo de ordens e magnitudes perversas.

Na sala redonda os deuses juntavam-se em festins inebriantes. Na passagem secreta tiravam fotografias para além do matrimónio comum e do património das dádivas convexas.

Do alto da escarpa uma mão agarrava o destino e suprimia a chance. Era um oráculo.