Nevões Soturnos

Setembro, se bem me lembro, nevava em picos inalcançáveis. Da turba vinham sons inquietantes. Uma navalha corria pelos pingos de água azul. Tremia só de pensar que eram dádivas divinas, aquelas maçãs empoeiradas, num pedestal submerso, envolto em sombras constantes.

De repente um vértice desceu pela lâmina açucarada. Uma abolição dos sentidos causou espanto. A sala ardia.

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